Pinterest

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Cada um sabe a falta que o outro faz


(música para ouvir durante a leitura)


Hoje acordei com o barulho da chuva, com um ruído forte na janela, mas sem a sua ligação. Eu amo a chuva, poderia ficar horas e horas escutando-a, e nem me incomodo de acordar com ela lá fora, mas não é suficiente. Dizem que quando chove, ficamos mais emotivos. Não sei se é verdade, mas eu gosto do tempo nublado, do frio, mesmo sem você aqui para me aquecer, eu gosto. Enquanto abria a janela para deixar a chuva limpar todo o sujo do meu quarto, ligava o som. A nossa música tocou, mas já não chorei mais, não sofri mais. Na verdade passou um filme na minha cabeça. Parada em frente a janela aberta, os pingos foram tomando conta do meu corpo, e minha mente fixa no imenso cinza. As nuvens foram tomando forma, e sua imagem se formou, sorrindo, ao meu lado. Vi o nosso filme, quando tomamos chuva juntos pela primeira vez. Você com seu cabelo molhado na testa, e eu com a roupa toda encharcada, se fosse hoje em dia, não me molharia de jeito nenhum, primeiro porque não ficaria doente a toa, segundo porque demoro um certo tempo para me arrumar. Mas no nosso filme foi diferente, eu não me importei com nada disso, só em estar com você. Meu rosto já estava todo molhado, mas não me dei conta, enquanto isso, continue vendo o filme. Você me rodava e tirava meu cabelo do meu rosto, e lá eu tive a certeza que eu queria você. Já tinha uns 15 minutos que estava parada, só minha mente que estava vagando. Senti meu olho arder um pouco, mas não sabia diferenciar o que era lágrima e o que era chuva, nem me importei. Minha mente logo me teletransportou para o hospital, dias depois do nosso episódio na chuva. Fiquei doente. Você ficou lá no hospital comigo, se sentindo culpado pelo meu estado. Mas ambos sabíamos que os dois tinham culpa, e que nada disso é digno de culpa. Só de felicidade, de momento, de amor. O som parou de tocar, pisquei forte e me mexi. Estava completamente molhada, só que dessa vez não posso ficar doente, você não estaria comigo. Após um banho rápido e roupa trocada, me sentei em frente a janela, desta vez fechada, e tomei o meu café quente. E pedia para que esquentasse o meu coração, que agora se encontra frio. Mas acho que vai demorar um certo tempo para sentir algum calor. Fiquei refletindo se aquele dia foi uma loucura, se ir pro hospital valeu a pena. Hoje não faz mais sentido. Mas na época foi a melhor coisa, e isso não importa mais. Passou. Você se foi. Não dói mais, mas faz uma falta danada. Possa ser que daqui uns anos eu me pegue revivendo a cena em que vi a nossa cena,  e que esteja rindo. Mas agora não estou rindo, nem chorando. Apenas vazia, fria. Cada um sabe a falta que o outro faz, e a sua falta estará comigo pro resto da vida, isso não tenho dúvida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário